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Lifestyle

04 de Fevereiro de 2018

A trajetória de Jonas Marques

De propagandista de laboratório no Centro de Fortaleza a alto executivo da indústria farmacêutica na Europa, Jonas Marques se tornou referência na recuperação de corporações no vermelho e de equipes desmotivadas

Foto: Tatiana Fortes/O POVOFoto: Tatiana Fortes/O POVO

Ele entrou na indústria farmacêutica como propagandista, atuando no Centro de Fortaleza e, em pouco mais de 20 anos, tornou-se CEO da divisão de medicamentos livres de prescrição da Bayer para toda a Itália. Por trás de uma vida de alto executivo em Milão, com seus luxos e prazeres, há uma história de vida de um cearense que soube, a cada passo, tirar uma lição. Das visitas aos consultórios médicos entre os Merceeiros e a Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza, às viagens e reuniões que comanda na Europa, o psicólogo cearense Jonas Marques (47) nunca perdeu seu propósito de vista: tocar e impactar pessoas.


Este, aliás, é um dos seus trunfos como especialista em ''turnaround'' no mercado internacional. Nos últimos anos, Jonas acumulou experiências bem sucedidas na recuperação de empresas em situação de prejuízo, entregando equipes lucrativas e motivadas. O processo não é simples, nem fácil, mas na nossa conversa, no lobby bar do Gran Marquise Hotel, deu para entender um pouco desta expertise.


Formado em Psicologia aos 22 anos, com a então namorada e atual esposa grávida de gêmeos, precisava de uma ocupação formal para sustentar a casa. Participou de uma seleção e começou a andar pelas ruas de Fortaleza todos os dias carregando cerca de 50 revistas de divulgação, na época, dos medicamentos da Roche. Com um ano foi ''promovido'' para os consultórios da Aldeota e de lá não parou mais de ascender na carreira.


Dois fatos explicam, em parte, a habilidade que Jonas desenvolveu para a gestão ainda muito jovem. Na Roche, conviveu com pacientes em tratamentos de câncer e HIV positivo, o que lhe deu uma profunda compreensão da transitoriedade e fragilidade da vida. O segundo marco foi sua primeira experiência como gestor, em Recife, quando seguiu um modelo de chefe ''tradicional'' e se deu mal. ''Quis controlar pessoas, não soube ouvir, tratei todos como iguais, tudo deu errado. Percebi que dessa forma não daria certo em lugar nenhum'', lembra.


Foto: Tatiana Fortes/OPOVOFoto: Tatiana Fortes/OPOVO

Sagaz, mudou o rumo e começou a individualizar sua relação com funcionários, dar retornos assertivos, escutar, quebrar barreiras de hierarquia e os resultados começaram a aparecer. ''Não acredito em hierarquia, eu respeito pessoas e não posições. Não é porque a pessoa virou diretor que muda. Ela ascendeu porque foi criada uma oportunidade para ela se colocar melhor'', exemplifica.

 

Guiado pelo estilo que adotou, rodou o Brasil pegando unidades em dificuldade, mudou de laboratório, trabalhou para uma organização da Espanha até que chegou o convite da Bayer em São Paulo e, posteriormente, para o cargo de CEO na Itália. Ele resume essa história de pouco mais de duas décadas no seguinte: ''tudo começa e termina nas pessoas''.

 

 ''Motivação é um processo interno, portanto, ninguém é capaz de motivar ninguém. O que os líderes podem e devem fazer é criar momentos e visões para que as pessoas se motivem, encontrem dentro de si um propósito maior'', diz ele que, logo ao chegar na Itália, promoveu um dia fora do escritório para que 77 funcionários visitassem farmácias, conversassem com consumidores e entendessem o impacto real da empresa na vida de quem usa os remédios. ''Todo mundo nasceu para ser feliz e para dar certo. Quando você dá o valor às pessoas, essa energia se propaga e é a coisa mais linda. Você cria um time de alto desempenho'', garante.  
 
Apesar do feeling natural para se relacionar e conhecer histórias de vida, todo o dinheiro que ganhou durante os anos de trabalho reinvestiu em cursos e experiências. Sensibilidade é importante, mas formação, destaca: ''é essencial''. 
 
    Com os filhos ainda pequenos, ele e a mulher decidiram viver com mais liberdade na mente e no espaço. ''Sabe aquela história de fazer o pé de meia, troquei por cursos no Exterior, um MBA com extensão em Cambridge, escolas de executivos nos EUA e pela liberdade de poder viver várias vidas em uma só'', narra.
  
''Acho que a vida é feita de ciclos, de fragmentos, sempre que estou numa organização e sinto que não estou mais nem aprendendo e nem ensinando é chegada a hora de partir'', afirma Jonas, que também se tornou palestrante e consultor de carreiras. ''Meu desespero é ver pessoas mortas-vivas, vivendo problemas do passado, do futuro e sem se encontrar em sua vida, em suas carreiras, no seu melhor'', afirma.
 
E tem mais uma dica: celebrar as conquistas, por menores que sejam e, só depois, avaliar o que poderia ter saído melhor. ''Os gestores esquecem de celebrar. Não importa se o crescimento foi 0,1%. Se você não celebra, você não cria esse ciclo positivo. O que mata um time é no dia que você atinge uma meta, teu chefe fala, 'parabéns, mas nós temos que fazer isso'. No dia da satisfação ninguém fala de futuro'', diz ele que, mais uma vez, comemora os bons resultados atingidos na Itália após um ano e meio na atual função. A melhor forma de celebrar? Brindando com um bom vinho, um dos prazeres que aperfeiçoou na Itália,  viajando pelas paisagens europeias com a esposa e os filhos ou mesmo pilotando aviões, seu hobby mais recente. Ao final de cada temporada, seja por onde for, volta ao Ceará para recarregar a energia e se reconectar com suas raízes.

 

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